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Dados
Pessoais:
Nome: Rodolfo Alves de Carvalho Neto
Aniversário: 20/03
Naturalidade: Salvador
Estado civil: Casado |
@f:
O que desenvolveu em você o gosto pela física?
R - Antes mesmo de iniciar o estudo formal da Física,
na escola, já tinha muita curiosidade para estudar esta ciência.
Acredito que as leituras sobre a Astronomia que fiz na adolescência,
despertaram, de alguma forma, o meu interesse pela Física.
Na condição de aluno do Ensino Médio (na época
segundo grau) eu estudava nas férias, o conteúdo de Física
referente à série vindoura. Resolver e elaborar questões
passou a ser uma atividade muito prazerosa.
@f:Como a família reagiu ao saber do seu interesse
em ser professor?
R - Minha mãe e meu pai sempre prestigiaram, e continuam
prestigiando, as coisas da vida que julgo possuírem valor!
@f:Onde leciona atualmente?
R - No Colégio Antônio Vieira (CAV), na
Universidade Federal da Bahia (UFBa), e na UNIFACS.
@f:O que lhe diverte nas horas vagas?
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R - Tocar violão, cantar e ou escutar músicas,
especialmente a Bossa Nova e o Jazz, com a finalidade de me emocionar. Nos
finais de semana gosto de almoçar ou jantar fora com a minha
família e com os meus amigos. Meu pai sempre disse: meu patrimônio
é a minha família. Incorporei, naturalmente, este
valor.
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Rodolfo
e sua esposa Minna, no Cristo Redentor, RJ. |
Acima:
Lipe e Gabi, as "pérolas" do nosso
entrevistado. |
@f:Considera física uma disciplina difícil?
R -Sim, a Física é uma disciplina muito difícil.
Isso, historicamente, é compreensível. As teorias físicas,
Mecânica, Termodinâmica, Eletromagnetismo, teorias da Relatividade
e Mecânica Quântica, foram sendo edificadas por um complexo
processo descontínuo, que, segundo Kuhn, passa pela seguinte seqüência:
pré-ciência- ciência normal-crise e revolução,
nova ciência normal e nova crise. O jovem que estuda Física
no Ensino Médio, dispõe, em geral, de 3 anos para estudar
um conhecimento “acumulado” descontinuamente ao longo de séculos.
Portanto, é de esperar que o estudo contextualizado da Física
(que envolve conhecimentos em Física e sobre a Física) seja
demasiadamente complexo.
@f:Tem algum sonho de consumo?
R - Não.
@f:Quais as partes da física do nível médio
considera mais complicadas ensinar?
R -Creio que o aspecto intrinsecamente probabilístico
da Mecânica Quântica, mesmo para eventos individuais, seja
algo muito difícil de ensinar, não somente no Ensino Médio
(em termos qualitativos), mas em qualquer nível.
@f:Quais livros que já leu recomendaria a leitura?
R -Depende naturalmente da área de interesse de cada um.
No campo da filosofia da ciência recomendaria a Lógica da
Pesquisa Científica, de Popper, A estrutura da Revolução
Científica de Thomas Kuhn e Contra o Método, do Paul Feyerabend.
@f:Como avalia, em geral, o interesse dos alunos
em física?
R -Baixo. Este resultado infelizmente tem uma dimensão
mundial. Tomar o Ensino de Física como objeto de pesquisa, contudo,
continua sendo um poderoso meio poderoso de transformação
dessa realidade.
@f:Você realiza atividade física ou pratica
esporte com regularidade?
R - Estou retomando minhas caminhadas. Faz bem ao corpo e a mente.
@f:
Na sua opinião existe algum método para se estudar
física? Caso acredite que sim comente...
R -Não existe receituário universal. Acredito,
contudo, que um estudo fecundo de Física pressupõe muita
leitura teórica e muita disposição para resolver
problemas, de vários livros. Deve-se tomar cuidado para não
se iludir e achar que é possível aprender Física
sem resolver muitos problemas. O teórico cognitivista David Ausubel
argumenta que uma forma segura de verificar se o aluno aprendeu ou não
significativamente um dado conceito é através de um problema
novo.
Evidentemente que o hábito de resolver questões de forma
não-automática só é possível quando
se tem um suporte teórico adequado.
@f: Tem alguma religião?
R - Sou católico.
@f:
Em geral quais são as maiores dificuldades apresentadas pelos alunos
para a aprendizagem da física?
R -Eu penso que há uma fragmentação muito
nociva ao entendimento de aspectos mais gerais da Física. Como
pode, por exemplo, mesmo um aluno bem treinado em Equações
Diferenciais, não ter se apropriado do aspecto preditivo da Segunda
Lei de Newton?
Do mesmo modo, como pode um aluno que já resolveu inúmeros
problemas de Eletromagnetismo não associar, do ponto de vista da
Física Clássica, a luz com a teoria eletromagnética?
Como pode, do mesmo modo, o aluno que estudou a interferência de
elétrons (ou dos fótons), nem sempre relacionar este fenômeno
como um aspecto da dualidade onda-partícula?
Penso que precisamos valorizar as idéias mais gerais da Física,
ao invés de cristalizarmos compartimentos aparentemente sem correlação
uns com os outros.
@f: Como se define politicamente?
R -Conheço e sou amigo de pessoas admiráveis tanto
da chamada direita como da chamada esquerda. “Somos feitos do mesmo
barro”, costuma dizer um dileto amigo e médico: Dr. Rodolfo
Teixeira.
Eu, contudo, não tenho relação com partido algum.
@f:Cite quais são, na sua opinião,
aquelas partes da física que considera menos importantes
para o nível médio e que poderiam ser deixadas de lado.
R -Acredito que deveria haver uma ênfase maior
na Óptica Física do que na Óptica Geométrica.
Acho desnecessário, por exemplo, passar muito tempo aplicando fórmulas
de desvios, quantidade de imagens, etc. Não é deixar de
dar, mas rever o enfoque.
@f: O que mais reprova na conduta de uma pessoa?
R -A indiferença à condição humana
do próximo. O mesmo aperto de mão que se dá numa
pessoa rica deve-se dar numa pessoa pobre.
@f: Você defende alguma linha pedagógica.
Para orientar o seu trabalho em sala de aula?
R -A Aprendizagem Significativa.
@f: O que tem a dizer aos jovens que pretendem seguir carreira
na física?
R- Tenham determinação, pois estudar não
é fácil. Com o passar do tempo, contudo, esse estudo fica
muito prazeroso. E esse encanto pelo querer conhecer mais não tem
fim!
@f: Suas preferências:
R:
Cor: Azul
Música: Ela é Carioca (Tom Jobim e Vinicius de Morais).
Livro: São muitos.
Time: Já fui Bahia. Hoje só gosto de torcer pelo Brasil,
em particular, na Copa do Mundo.
Ator e atriz: James Stuart e Kim Novack.
Cantor e cantora: Os Cariocas; Elis Regina.
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Rodolfo
ao lado do seu ídolo musical Quartera.
Quartera é ex-integrante do grupo Os Cariocas,
tendo permanecido no conjunto desde a sua formação,
em 1948, até início de 2000. Esteve presente no show
o Encontro, em 1962, onde Os Cariocas se apresentaram ao lado de
Tom Jobim, Viníciuis de Morais e João Gilberto e lançaram
canções como Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinícius
de Morias) e Samba do Avião (Tom Jobim)
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Comida: Churrasco.
Filme: Psicose.
Programa de TV: Não assisto.
@f:
O que aconteceu que o fez deixar de torcer pelo Bahia?
R -Acredito que um forte trauma advindo de uma decepção
futebolística, mas não tem uma correlação
direta e seria difícil quantificar a influência do episódio
que relaterei a seguir no meu distanciamento do futebol. Chegava no Rio
de Janeiro, por volta das 13h, num dia de Copa do Mundo de 1986 (México)
quando o Brasil jogava com a França. Estava com minha mãe,
meu pai e meu irmão. Zico perdeu um pênalti durante o jogo
( o que poderia acontecer com qualquer um, não estou culpando ninguém)
e fomos derrotados nos pênaltis. Quase não aproveitei a minha
viagem em virtude desse desagradável resultado. Achei que fosse
presenciar o espetáculo de ver, no Rio de Janeiro, uma mega comemoração.
Depois desta experiência esfriei um pouco com o Futebol, embora
"paradoxalmente" continue torcendo fervorosamente para o Brasil,
particularmente, nas Copas do Mundo. Como se vê essa "justificativa"
não passa por questões específicas do Bahia.
@f:
Qual episódio foi o mais cômico na sua carreira de professor,
dentro ou fora da sala de aula?
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| Prof°
Olival (esq.) e Rodolfo no
lançamento do livro
"O Universo dos Quanta". |
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R
-Aconteceu em 1996, no Curso Oficina, um ano antes de Olival
Freire Júnior e eu lançarmos o livro O universo dos
Quanta, editado pela FTD . Estava aguardando um telefonema do Gilberto
Gil, pois precisava de uma autorização, por escrito,
do seu consentimento para nós autores publicarmos, na contra
capa, um trecho da Música Quanta, do referido autor. Eu tinha
rebido um recado que ele ligaria para mim a qualquer momento. Estava,
evidentemente, ansioso para ver se tudo daria certo. Comentei isso
com os alunos. La pras tantas, o meu celular tocou, e alguém
apresentou-se como Gilberto Gil. Cheguei a adiantar conversa e, como
a turma ria muito, não conseguia escutar.( comecei a estranhar,
contudo, |
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o meu celular que deveria estar desligado repentinamente aparecer
ligado). Minutos depois fiquei sabendo que um aluno ligou o meu celular,
quando estava de costas, viu o número e foi até o telefone
público, que ficava dentro do próprio curso, e , de
brincadeira, disse ser o Gilberto Gil.(na época o meu celular
não tinha identificador de chamada). Ao assumirem a brincadeira
foi um gargalhada generalizada, até porque na hora de atender
o telefone, eu derrubei algumas cadeiras. Enfim, depois deu tudo certo!.
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@f:
Qual
professor que teve no nível médio mais serviu como referência
para sua postura profissional hoje?
R -A professora Joésia Ilka, uma expressão
muito especial de competência e dignidade. ( Na realidade ela foi
coordenadora pedagógica dos meus professores da época e,
portanto, indiretamente minha professora). Vim conhecê-la mais profundamente
enquanto profissional. Trata-se de uma expressão muito especial
de competência e dignidade, amiga solidária, humana e consciente.
As suas ações pedagógicas e o seu compromisso em
servir ao próximo muito contribuíram para consolidar a minha
formação. Impressionou-me, particularmente, a sua extraordinária
capacidade de reflexão em torno da aprendizagem dos alunos. Tormamos-nos
amigos para sempre e aproveitando a oportunidade, agradeço, comovido,
a oportunidade de tê-la conhecido. Amizades como a de Joésia
devem ser regadas diariamente.Estivemos juntos, recentemente, neste São
João de 2008, em Praia do Flamengo.
FIM
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Rodolfo
Alves de Carvalho Neto defendeu o mestrado em Ensino de Física
em 14/12/2006, pela UFBa. A banca composta pelos professores Dr.
Caio de Catilho,(UFBa), Dr Oswaldo Pessoa (USP) e Dr. Olival Freire
Júnior (UFBa)- (Orientador) APROVOU, por unanimidade, a referida
dissertação, cujo título é "Aspecto
preditivo da Mecânica Clássica e da Mecânica
Quântica, uma proposta teórico metodológica
para alunos do Ensino Médio." É co-autor do livro
"O universo dos Quanta" (de FreireJr e Carvalho, 1997)-Editora
FTD, e tem trabalhos publicados no Brasil e um nos EUA, em Congresso
Internacional, versando sobre ensino de Mecânica Quântica.
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